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PCGuia
> Internet
> Cabo
ou ADSL? |
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JUNHO
2004
Será que existem, de facto,
vantagens evidentes de uma face à outra? |
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Cabo
ou ADSL – esta é, seguramente, uma questão
que muitos dos leitores da PCGuia já terão
colocado antes de optar por uma das várias soluções
de acesso em banda larga à Internet. Com a massificação
da oferta por parte dos ISP, o número de clientes
tem vindo efectivamente a disparar desde há cerca
de um ano a esta parte. Apesar de o cabo ter sido o primeiro
tipo de tecnologia desta natureza a ficar disponível
em Portugal para o mercado de grande consumo, a verdade
é que as linhas ADSL começam a recuperar
face à desvantagem inicial.
Na prática, a verdade é esta – não
se pode dizer que exista uma clara vantagem de uma tecnologia
sobre a outra – aliás, a oferta é
tão semelhante que até nos preços
se aproxima. A grande diferença encontra-se no
tipo de meio utilizado para o transporte dos dados –
enquanto o cabo recorre ao cabo coaxial utilizado para
fazer passar sinal de TV (sendo, por isso, indispensável
dispor de televisão por cabo para se poder ter
este tipo de serviço em casa), o ADSL socorre-se
do cobre utilizado nas tradicionais linhas de telefone
(o que pressupõe a necessidade de ter uma assinatura
de telefone fixo). Quanto ao resto, existem algumas diferenças
quanto ao tratamento e ao transporte dos dados.
No geral, tanto o cabo como o ADSL apresentam vantagens
para os clientes domésticos e empresariais. Estas
vantagens podem ser medidas em cinco aspectos essenciais
– a velocidade, a segurança, a disponibilidade/fiabilidade,
a qualidade de serviço e o custo.
Velocidades semelhantes
Em termos ideais, o cabo permite velocidades de transmissão
até 30Mbit/s, recorrendo a uma placa de 100Mbit/s,
enquanto o DSL não consegue chegar aos 10Mbit/s
na sua variante VDSL – que em Portugal não
se encontra disponível. O ADSL tem como tecto os
2Mbit/s. Claro que tudo isto é teoria. Na prática,
as realidades aproximam-se uma da outra – o cabo
permite até 640Mbit/s e o ADSL chega aos 1Mbit/s,
apesar de a oferta mais generalizada se ficar pelos 512Mbit/s.
O upstream é semelhante, fixando-se nos 128Mbit/s.
No entanto, com estes débitos é perfeitamente
possível fazer streaming de vídeo ou jogar
na Internet com um lag muito pequeno, maximizando o divertimento
on-line.
Também é certo que estes valores podem variar,
dependendo do tipo de utilização e da congestão
no tráfego de Internet verificado no momento da
utilização. Sobre este assunto, o cabo oferece
largura de banda partilhada com a “vizinhança”
do “bairro” onde se encontra, enquanto o ADSL
permite largura de banda dedicada à linha a que
está associado. Significa isto que a performance
no acesso por cabo pode variar de acordo com o maior ou
menor número de utilizadores no troço de
rede onde a sua máquina se encontra, apesar de
esta situação já não acontecer
com tanta frequência nos dias que correm.
O ADSL é, porém, uma tecnologia mais sensível
a aspectos como a distância e a qualidade do cobre
utilizado na linha. Isto significa, por um lado, que quanto
mais distante se estiver do ponto de acesso, mais baixos
serão os débitos conseguidos (tipicamente,
é possível oferecer 512Kbit/s até
uma distância de cinco quilómetros), bem
como que, quanto mais antiga for a linha de telefone utilizada
ou quanto maior for o número de curvas (sobretudo,
de 90 graus), maior é a probabilidade de existir
ruído na linha, podendo, inclusive, levar à
quebra da ligação.
| Três
passos a dar na escolha da solução |
| Seja
qual for a solução escolhida,
estes são apenas três dos vários
aspectos essenciais que deve verificar antes
de a adquirir |
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1.
Pesquise no sites dos ISP aspectos tais
como o custo de adesão e a mensalidade
(com IVA), o tráfego, os serviços
associados, as configurações
necessárias ou as promoções.
Leia as FAQ com atenção e
veja se o ISP pode oferecer o serviço
na sua área de residência. |
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2.
Procure obter o máximo de informação
sobre o modem ou o router incluído
no pacote. Vá até à
página do fabricante do equipamento
e leia as características, nomeadamente
a nível de segurança. |
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3.
Antes de adquirir a solução,
leia atentamente o contrato. Informe-se,
por exemplo, sobre as condições
para anular o contrato caso queira, entretanto,
mudar de ISP |
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Fiabilidade equiparada
A segurança é o aspecto mais controverso
desta batalha entre as ofertas de ADSL e de cabo. Um dos
maiores ISP de ADSL em Portugal é o Sapo, que diz
na sua página sobre esta matéria o seguinte:
«O ADSL funciona sobre a sua linha telefónica
privada, garante-lhe maior fiabilidade e segurança
na ligação, pois evita a degradação
da velocidade quando os seus vizinhos se ligam também
à Internet.» A Oni (falando a respeito da
sua oferta OniNetSpeed) acrescenta que «a ligação
até à central telefónica é
privada (ponto-a-ponto), sendo por isso mais segura do
que na ligação por cabo, não permitindo
que alguém aceda aos seus dados. Este tipo de ligação
diminui, embora não exclua, a possibilidade de
ataques por hackers (piratas) da Internet».
Os ISP de cabo defendem que esta estratégia mais
não é do que um simples sublinhar de um
aspecto comum nas redes de cabo, mas que não se
traduz numa vantagem evidente das redes ADSL sobre as
suas. De facto, e tal como já foi referido, o cabo
utiliza uma linha partilhada para fornecer serviços
a + determinada “vizinhança”, o que
não acontece no ADSL. Ou seja, todos os utilizadores
que estiverem nesse “bairro” pertencem à
mesma rede local (LAN), o que significa que, se não
existirem quaisquer medidas de segurança implementadas,
qualquer utilizador dessa LAN consegue aceder a outras
máquinas desprotegidas que lá se encontrem.
Os ISP aperceberam-se do problema e corrigiram a situação.
Por um lado, oferecem bundles com soluções
como antivírus, firewalls ou routers com NAT, que
permitem minimizar o impacte dos ataques que cada vez
mais se fazem sentir nos PCs com acesso à Web em
banda larga. Por sua vez, os fabricantes de cable modems
dotaram os seus equipamentos de algo que dá pelo
nome de Data Over Cable Service Interface Specification
(DOCSIS), que inclui suporte para características
de segurança em redes de cabo, tais como autenticação
ou filtragem de pacotes. Em suma, tendo em conta que actualmente
é impensável falar de acesso seguro em banda
larga à Internet sem uma protecção
complementar (antivírus, pelo menos), não
existe qualquer vantagem de uma das tecnologias relativamente
à outra.
Os perigos do “always
on”
Uma das grandes vantagens das tecnologias de cabo e de
ADSL face ao dial up tradicional é o facto de poderem
estar sempre ligadas à Web. Isto porque os ISP
não cobram o tempo da ligação, mas
sim a quantidade de downloads feitos – isto de forma
típica, visto terem entretanto surgido no mercado
pacotes de acesso por cabo ou ADSL em que o critério
de custo é o tempo de ligação.
O facto de se estar on-line tanto tempo e com uma largura
de banda tão grande é uma grande vantagem
para muitos utilizadores, mas é também um
factor de risco à segurança dos sistemas
– quando se está mais tempo on-line, corre-se
um risco maior de sofrer um ataque. No caso de se ter
um IP fixo, este risco é ainda maior na medida
em que dá ao hacker a possibilidade de ter um alvo
fixo.
É por isso que os operadores de cabo e de ADSL
providenciam endereços assignados por DHCP, o que
permite que o IP do cliente se altere cada vez que faz
uma ligação à Internet. É
claro que, se essa ligação ficar activa
durante horas, dias ou semanas, o IP manter-se-á
igual até ser desactivada e iniciada nova sessão
na Internet.
Perante este facto, muitos clientes de cabo ou de ADSL
adquirem routers para proteger os seus sistemas da Internet.
Na sua essência, os routers complementam os modems
de cabo ou de ADSL tradicionais, associando funcionalidades
de segurança (tais como as já mencionadas
filtragem de pacotes e NAT). Há ainda aqueles que
preferem não gastar dinheiro, instalando software
de servidor proxy sobre o modem de modo a melhor controlar
o tráfego que entra na máquina e que sai
para a Web.
Em resumo, as ofertas de cabo e de ADSL equiparam-se em
todos os pontos considerados essenciais – velocidade,
segurança, disponibilidade/fiabilidade, qualidade
de serviço e custo.
Chamem-nos “politicamente correctos”, mas
a verdade é que, pesadas as vantagens e as desvantagens
de cada uma, o resultado final é um empate. Cabe
a cada um decidir o tipo de oferta que mais lhe convém,
podendo interferir sobre esta decisão aspectos
tais como a existência ou não de uma linha
de cabo ou de telefone em casa, o tipo de utilização
que se pretende ou as ofertas associadas ao pacote de
determinado ISP, entre muitas outras. Nesta edição,
a PCGuia deu-lhe as dicas técnicas. No próximo
número, mostrar-lhe-á as diversas ofertas
que existem em Portugal.
| Hackers |
| Atenue
as fraquezas da ligação |
A forma de actuar
dos hackers pode até ser complexa,
mas o seu princípio é muito
simples – procurar e explorar falhas
no sistema operativo ou em aplicações
que com ele trabalham, como são o caso
dos programas de e-mail, das bases de dados
e do instant messaging/chat. No caso dos sistemas
operativos, as maiores fragilidades encontram-se
em serviços de rede tais como o FTP,
que utiliza portas específicas.
Com o aumento do número de utilizadores
de banda larga, é normal que as suas
actividades tenham crescido em Portugal.
Uma forma de evitar que os hackers entrem
no seu sistema passa por fazer updates frequentes
ao seu sistema operativo, procurando updates
numa base semanal,
e o mesmo deverá acontecer com o seu
antivírus, mas numa base diária.
Procurar ferramentas on-line para testar as
vulnerabilidades do sistema também
é uma óptima opção. |
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