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Apetece mesmo dizer que sim – de facto, já
existe uma aplicação de gestão feita
em Portugal e que está disponibilizada gratuitamente,
sendo fornecida com o código-fonte respectivo e
à qual os utilizadores podem acrescentar as funcionalidades
que entenderem. Este artigo é dedicado e destina-se
a todos aqueles que já conseguiram instalar o Linux
nos seus computadores e que estão agora a dar os
primeiros passos na configuração do sistema,
tomando como base as principais dificuldades que se deparam
a um utilizador recém-chegado para instalar e configurar
o Evaristo, uma solução Enterprise Resource
Planning (ERP) disponível sob licença GPL
e desenvolvida pela Memória Persistente.
Há vários aspectos que o distinguem das
restantes aplicações de gestão disponíveis
no mercado das PMEs. Numa ordem perfeitamente aleatória,
é possível citar o tipo de suporte de dados
(base de dados relacional em vez de ficheiros indexados),
a configuração de ecrãs e documentos
impressos (inteiramente assente em XML e independente
do código), o facto de ser multi-utilizador e multiplataforma
de raiz, a tecnologia utilizada (Java), que o torna independente
do sistema operativo, e a licença que rege a sua
publicação (GPL), que permite as suas livres
distribuição e alteração.
Configuração do
servidor de dados
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| Ecrã
de entrada (menu principal) |
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Alterar a configuração
da base de dados não é uma tarefa tão
assustadora quanto parece (à primeira vista) para
um principiante. Pelo menos, não o é neste
caso, resumindo-se a alterações que incidem
sobre a modificação de dois ficheiros de
configuração e de apenas uma linha em cada
um deles. Isto assumindo que o leitor já tem o
PostgreSQL instalado, uma vez que todas as distribuições
o incluem.
Estes ficheiros poderão ser encontrados em '/var/lib/postgres/data'
nas distribuições baseadas em Debian e em
'/var/lib/pgsql/data' em Red Hat e Mandrake. Outras distribuições
poderão colocá-las noutros directórios,
mas certamente abaixo do '/var/lib', pelo que, em caso
de dúvida, bastar-lhe-á executar o comando
'find /var/lib -name postgresql.conf -print' para descobrir
a sua localização.
Em primeiro lugar, há que abrir uma sessão
de consola de terminal, tornar-se superutilizador (com
o comando 'su') e editar o ficheiro 'postgresql.conf',
procurar a linha que começa por 'tcpip_socket'
e assegurar-se de que contém o valor 'true'. Isto
vai fazer com que o PostgreSQL aceite ligações
TCP/IP, o que é indispensável para a ligar
a uma aplicação Java através do JDBC
(visite o site http://www.postgresql.org/docs/7.4/static/runtime-config.html#RUNTIME-CONFIG-CONNECTION
se quiser aventurar-se noutras opções).
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| Alteração
do 'postgresql.conf' |
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O outro passo é um pouco
mais delicado, dado que se trata de definir que máquinas
e utilizadores podem ligar-se ao servidor de dados. Entre
as várias configurações possíveis
(ver http://www.postgresql.org/docs/7.4/interactive/client-authentication.html#AUTH-PG-HBA-CONF),
escolhemos uma que permite o acesso a todos os utilizadores
da máquina em que está instalado o PostgreSQL
(localhost). Para tal, basta acrescentar a seguinte linha
no fim do ficheiro 'pg_hba.conf':
host all all 127.0.0.1 255.255.255.255
trust
Agora, há que reinicializar
o PostgreSQL com o comando '/etc/init.d/postgresql restart'.
E, já que está como superutilizador, aproveite
para executar estes comandos:
adduser m16e
mkdir /usr/local/m16e
chown m16e.m16e /usr/local/m16e
chmod g+r /usr/local/m16e
su postgres
createuser m16e
exit
su – m16e
createdb m16e
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| Alteração
de 'pg_hba.conf' |
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Os mesmos irão criar um utilizador
para administrar a base de dados e criar uma base de dados
para esse utilizador. Para saber o significado detalhado
dos comandos, escreva numa consola 'man <comando>',
substituindo '<comando>' por 'adduser', 'createuser',
e assim sucessivamente.
Instalação do Java (da Sun)
A maior parte das distribuições trazem máquinas
virtuais Java (JVM, ou Java Virtual Machine) que ainda
não implementam a especificação completa,
pelo que nem todas as funcionalidades estão disponíveis
– sobretudo as que estão relacionadas com
o interface gráfico, pelo que, muito provavelmente,
terá de instalar este a partir dos binários
da Sun ou dos rpms da Blackdown.org (as excepções
que conheço são a Suse e a Caixa Mágica,
que incluem rpm da Blackdown.org, mas que, tal como a
ferramenta da Sun, não são software livre,
apesar de serem de uso gratuito).
No site do Java, encontrará instruções
detalhadas sobre a sua instalação (ver http://java.sun.com/j2se/1.5.0/jre/install.html).
Se utiliza Debian e quiser uma integração
completa com o sistema, poderá seguir as instruções
contidas no site do Open Source Lab da Oregon State University
(http://wiki.osuosl.org/display/DEV/Java+on+Debian).
Em qualquer caso (exceptuando os utilizadores do Debian
que, se seguirem o passo acima descrito, já terão
o Java completamente configurado), deverá assegurar-se
de que o directório onde está o Java é
o primeiro elemento da variável de ambiente PATH.
Pode consegui-lo acrescentando no ficheiro '.profile'
ou '.bashrc' do utilizador (substituindo <java-dir>
pelo directório onde instalou o Java, por exemplo,
'/opt/j2sdk1.5.0') a linha:
export PATH=<java-dir>/bin:$PATH
Para se certificar que tem o Java devidamente
instalado, escreva numa consola: 'java -version'. O
output deverá ser semelhante a este:
java version "1.4.2_04"
Java(TM) 2 Runtime Environment, Standard Edition (build
1.4.2_04-b05)
Java HotSpot(TM) Client VM (build 1.4.2_04-b05, mixed
mode)
A versão deverá ser
a 1.4 ou superior.
Instalação
e configuração básica do Evaristo
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| Ficheiro
de configuração dos dados
da empresa |
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Para instalar o Evaristo, basta,
enquanto utilizador 'm16e', descomprimir a tarball com
o comando 'tar zxvf mpb2-1.tgz'no directório '/usr/local'
e, de seguida, executar 'psql -f /usr/local/m16e/evaristo/sql/mpb2.sql
m16e' para criar a base de dados da aplicação.
De seguida, e antes de começar a emitir facturas,
é necessário alterar os dados da empresa,
o que se consegue ao alterar o ficheiro 'inc-company-data.xml',
que se encontra no directório '/usr/local/m16e/evaristo/xgui'.
Basicamente, trata-se de alterar os dados da empresa (nome,
morada, contribuinte, entre outros dados). Para que o
logotipo da empresa apareça no menu principal e
nos documentos, deverá colocá-lo no directório
'/usr/local/m16e/evaristo/img', com o nome 'client-logo-print.gif',
com cerca de 200 pixels de largura e 48 de altura e em
formato GIF, claro.
A dimensão da imagem poderá ser outra qualquer,
tal como o tamanho, o tipo da letra ou a posição
do texto no documento, mas isso vai para além do
âmbito deste artigo.
Quanto ao nome para o ecrã principal, basta aplicar
o mesmo processo no ficheiro 'xgui-main-menu.xml', que
está no mesmo directório ('/usr/local/m16e/evaristo/xgui').
Mãos à obra
Chegou a altura de arrancar com
o programa, executando o script que lança a aplicação
('evaristo.sh') – mais tarde, poderá adicioná-lo
ao menu do seu sistema.
A partir daqui, tudo se torna muito mais simples. Surge
o ecrã mostrado na Figura 1, o qual contém
as opções principais da aplicação.
Antes, porém, convém realçar alguns
comportamentos comuns a toda a aplicação:
– Ao colocar o ponteiro do rato sobre um ícone,
aparece uma pequena janela de texto (tooltip) com uma
breve descrição do comando;
– Se os campos dos formulários apresentam
uma moldura em cyan (azul claro) ou o título de
uma coluna apresenta um asterisco, é porque está
disponível ajuda ao preenchimento nesses campos
ou nas células dessa coluna. Em qualquer dos casos,
clicando no botão direito do rato fará aparecer
um menu com as várias opções possíveis.
Esta é a altura ideal para consultar o manual de
utilizador (consultar http://www.m16e.com/opensource/mp-biz/doc/index.html)
e ver alguns dos exemplos que lá estão e
que contemplam a maior parte das situações.
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